Intermidialidade

Intermidialidade na Literatura Contemporânea

Reflexão sobre como a literatura contemporânea dialoga com cinema, artes visuais e tecnologia, criando novas formas de narração e leitura.

NELI·08 ABR 2026·15 min de leitura

A literatura contemporânea não vive em isolamento. Ela conversa com o cinema, absorve a linguagem das artes visuais, incorpora dados e interfaces digitais. Esse diálogo não é ornamental — é constitutivo da forma literária de nosso tempo.

Wolfgang Iser já alertava que o texto literário só se realiza na leitura, num encontro entre o que está escrito e o repertório do leitor. Hoje esse repertório é inevitavelmente intermidiático: leitores chegam ao livro depois de séries, videoclipes, podcasts e feeds de imagem. A literatura responde.

O conceito de intermidialidade, desenvolvido por Irina Rajewsky e Lars Elleström, descreve as formas pelas quais diferentes mídias se referem, imitam ou incorporam umas às outras. Na literatura, isso aparece na ekphrasis (descrição verbal de uma obra visual), na estrutura musical de um romance (leitmotivs, variações, fugatos), ou na simulação de interface digital numa narrativa.

No NELI, trabalhamos com obras que colocam essas relações em primeiro plano — textos que não apenas citam outras mídias, mas que transformam sua própria linguagem a partir desse contato. O interesse não é classificar, mas entender como o encontro entre mídias produz sentidos que nenhuma delas produziria sozinha.

A literatura que nos interessa é aquela que expande o que a literatura pode ser.

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